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Você sabe como funcionam os bancos de cordão umbilical?

Nos bancos de cordão públicos, as células-tronco são provenientes de doação voluntária. A doação é feita a partir de instituições credenciadas no programa Rede BrasilCord. Nesse banco, as células podem ser utilizadas por qualquer paciente, desde que haja compatibilidade sanguínea, sendo o procedimento coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Já nos bancos privados, as células são guardadas para uso próprio do paciente ou familiares; Apenas o custo da coleta fica em média R$ 3 mil reais. Além disso, há o pagamento da anuidade do armazenamento: de R$ 500 a R$ 700 por ano. A vantagem seria a disponibilidade de células-tronco compatíveis. Todavia, não há nenhuma evidência científica que garanta a eficiência do transplante. Aliás, de acordo com o coordenador de Hematologia e Transplante de Medula do Hospital Albert Einstein e presidente do Congresso da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), Nelson Hamerschalk, se a criança tiver leucemia, as chances de utilizar o próprio cordão para transplante são baixas, visto que o defeito genético pode estar na célula congelada. Devido a isso, a Associação Brasileira em Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) se demonstra contrária a esta prática, visto que o aproveitamento dos cordões em bancos privados é mínimo.

Por que armazenar?

As células retiradas do sangue do cordão, chamadas de células-tronco hematopoiéticas, são úteis para o emprego em doenças hematológicas. Porém, devido ao grande caráter genético destas doenças, é raro que um indivíduo consiga usar as suas próprias células. O que valeria a pena, por exemplo, é o uso por algum familiar com alguma doença que possa ser tratada com as células hematopoiéticas pois haverá compatibilidade celular.
Pode-se armazenar o próprio tecido do cordão umbilical, rico em células-tronco mesenquimais e que poderiam ser utilizadas no tratamento de várias doenças. Todavia, ainda não existem estudos que comprovem 100% a eficácia no uso, sendo a maior parte destes estudos realizados em animais de laboratório.

A realidade atual

Há algum tempo foi lançado uma cartilha pela ANVISA com relação aos bancos de cordão umbilical: no período de 2003 a 2013, no Brasil, 92545 unidades de cordão umbilical foram armazenadas em bancos privados, porém, apenas treze foram utilizadas em transplante, sejam pelo próprio doador ou por algum familiar. Esse resultado demonstra que somente 0,01% dos cordões umbilicais armazenados em redes privadas são aproveitados. Além disso, de acordo com a ANVISA, de 20 mil amostras de sangue de cordão congeladas, apenas uma seria utilizada em transplante pelo paciente até os 20 anos de idade. Em vinte anos, quanto de anuidade estaríamos pagando? Faça os cálculos.
Os bancos públicos, mesmo armazenando uma quantidade menor de cordões, apresentou maiores dados de transplante do que o privado. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a rede pública constava com 19694 unidades de cordão congelados, das quais 175 já foram utilizados para transplante. A chance do material ser útil a alguém é maior se toda a população tiver acesso, e o uso seria para quem precisasse.
Outro ponto importante é que é possível a coleta de células-tronco hematopoiéticas e mesenquimais em qualquer fase da vida, sendo tão eficiente quanto as células do cordão umbilical, não havendo a necessidade de ser coletado apenas no momento do parto. Portanto, não se desespere se você não armazenou as células do seu filho: hoje em dia as células-tronco podem ser extraídas dos mais diversos locais, inclusive a própria polpa do dente.

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