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San Diego – Ao longo dos meses, aglomerados de uma proteína implicada na doença de Parkinson podem viajar do intestino até o cérebro dos ratos, descobriram cientistas.

Os resultados, reportados no dia 14 de Novembro do encontro anual da Sociedade de Neurociência, sugerem que, em alguns casos, a doença de Parkinson pode ter sua origem no intestino. Trata-se de uma concepção intrigante, diz o neucientista John Cryan da University College Cork, em Ireland. O novo estudo mostra a importância da saúde do intestino para a saúde do cérebro e para o seu comportamento.

Collin Challis da Caltech e colegas injetaram aglomerados de alfa-sinucleína sintética, uma proteína conhecida por se acumular nos cérebros de pessoas com Parkinson, nos estômagos e intestinos dos ratos. Os pesquisadores então traçaram a alfa-sinucleína com uma técnica chamada CLARITY, que torna partes dos corpos dos ratos transparentes.

Sete dias depois das injeções, pesquisadores viram aglomerados de alfa-sinucleína no intestino. Os níveis de pico ocorreram 21 dias após as injeções. Essas não eram os mesmos agregados de alfa-sinucleína que foram injetados, no entanto. Esses eram novos aglomerados, formados a partir da ocorrência natural de alfa-sinucleína, que pesquisadores acreditam que foram influenciadas pela presença da versão sintéticas em seu meio.

Também 21 dias após as injeções, os aglomerados de alfa-sinucleína parecem ter se espalhada para uma parte da célula cerebral contendo células nervosas que compõem o nervo vago, um caminho neural que conecta o intestino ao cérebro. Sessenta dias após as injeções, a alfa-sinucleína acumulou-se em uma região do cérebro que contém as células nervosas que fazem a transmissão química de dopamina. Estas são as células nervosas que morrem nas pessoas com Parkinson, uma desordem cerebral progressiva que afeta os movimentos.

Depois de atingir o cérebro, a alfa-sunucleína se espalha em parte para as células cerebrais chamadas astrócitos, sugere um segundo estudo. Experimentos com células em placas de petri mostrou que os astrócitos podem armazenar e espalhar alfa-sunecleína ao longo das células. Esse trabalho foi apresentado por Jinar Rostami da Universidade de Uppsala, na Suécia, em uma entrevista coletiva em 14 de novembro.

A acumulação gradual e a disseminação da alfa-sinucleína causaram problemas nos camundongos. À medida que os agrupamentos de alfa-sinucleína lentamente se arrastaram para o cérebro, os ratos começaram a exibir problemas de intestino e movimento. Sete dias após as injeções, as fezes dos ratos eram mais abundantes que o habitual. Sessenta e noventa dias depois das injeções – depois que os aglomerados de alfa-senucleína haviam atingido o cérebro – a performance dos ratos piorou em alguns testes físicos.

Um estudo anterior mostrou que os aglomerados de alfa-sinucleína podem se mover do intestino para as células cerebrais dos ratos, mas esses experimentos avaliaram uma menor escala de tempo, afirmou Challis. E um trabalho anterior monitorou os movimentos da alfa-senucleína injetada, em oposição aos aglomerados de alfa-sinucleína que os ratos produziram por si mesmos.

A ideia de que a alfa-sinucleína pode espalhar-se do intestino ao cérebro é muito nova, constata Alice Chen-Plotkin, uma clínica e pesquisadora da doença de Parkinson no hospital da Universidade da Pennsylvania. Esses novos resultados e outros têm levado os cientistas a iniciar uma busca fora do cérebro para os estágios iniciais da doença, afirma a pesquisadora. “Cada vez mais, as pessoas estão se perguntando se ela começa mais cedo”.

Algumas evidências sugerem que o intestino é um bom lugar para olhar. Pessoas com a doença de Parkinson frequentemente sofrem de problemas intestinais como constipação. E, em 2015, cientistas reportaram que um grupo de pessoas dinamarquesas que tinham seu nervo vago cortado eram menos suscetíveis a desenvolver a doença de Parkinson.

Não está claro porque a alfa-sinucleína acumula-se no intestino, em primeiro lugar. “Há inúmeras teorias sobre isso”, afima Challis. As bactérias podem produzir compostos chamados curli que estimulam a alfa-sinucleína a se agregar – é o que um recene estudo sugere. Pesticidas, refluxo ácido e inflamação são outros possíveis culpados que poderiam de alguma forma aumentar os aglomerados de alfa-senucleína no intestino, afirma Challis

Leia mais: https://www.sciencenews.org/article/protein-linked-parkinsons-travels-gut-brain

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