Certos tratamentos de câncer são conhecidos por cobrar um preço dos pacientes, causando efeitos colaterais como fadiga, náusea e perda de cabelos. Agora cientistas estão investigando se alguns tratamentos podem causar outro efeito colateral a longo prazo: o envelhecimento precoce de importantes células que combatem a doença.
Ao rastrear um marcador molecular que se mostram aumentados nos glóbulos brancos das pessoas conforme elas envelhecem, os pesquisadores do Centro de Cancer Lineberger da Universidade da Carolina do Norte têm descoberto pistas que sugerem que o transplante de células-tronco está relacionado a um aumento acentuado na “idade molecular” dessas células imunológicas em um grupo de pacientes com câncer no sangue.
Os pesquisadores relatam na revista EBioMedicine que pacientes tratados com transplante autólogo de células-tronco – um procedimento que usa as próprias células-tronco do paciente- tem um nível elevado de expressão do mensageiro RNA (mRNA), um tipo de código genético usado para produzir proteínas para esse marcador relacionado à idade. Surpreendentemente, eles descobriram níveis de expressão aumentado em um grau comparado a 30 anos de idade cronológica.
Apesar do risco significante de efeitos colaterais a curto e longo prazo, os pesquisadores dizem que o transplante de células-tronco é uma opção de tratamento extremamente importante. Eles acreditam que suas descobertas podem estabelecer as bases para estudos futuros ao usar esse marcador de idade para permitir aos médicos quantificar melhor os potenciais riscos e benefícios dos pacientes associados ao transplante de células-tronco.
“Sabemos que o transplante é um prolongador da vida, e em muitos casos um salvador de vidas, para pacientes com câncer no sangue e outras doenças”, diz o primeiro autor do estudo, o M.D. Willian Wood. “Ao mesmo tempo, nós estamos reconhecendo que sobreviventes de transplantes estão em risco para problemas de saúde a longo prazo, e por isso há interesse em determinar quais marcadores podem existir para ajudar a prever os riscos de problemas de saúde de longo prazo, ou até ajudar a escolher quais pacientes são os melhores candidatos aos transplantes”.
Pesquisadores estão interessados em medidas objetivas de idade molecular ou funcional, uma vez que a idade de uma pessoa em anos nem sempre é um bom indicador de saúde ou adequação para receber o tratamento. Os pesquisadores de Lineberger examinaram os níveis de mRNA para uma proteína chamada p16. Descobriu-se que expressão mRNA do gene que codifica a proteína p16 aumenta exponencialmente com a idade cronológica.
“É um conceito conhecido na oncologia geriátrica que diferentes pessoas envelhecem biologicamente em taxas diferentes e que o seu estado de saúde geral pode ou não corresponder à sua idade cronológica”, disse o Dr. Wood. “Por um lado, nós não gostaríamos de usar a idade cronológica por si só para excluir pacientes de transplantes, uma vez que agora existem pacientes com até 80 anos que se beneficiariam se eles fossem, de outra forma, candidatos apropriados. A medida de idade biológica poderia nos ajudar a identificar candidatos mais velhos apropriados para o transplante, que podem ter sido excluídos anteriormente. Por outro lado, há outros pacientes, potencialmente mais novos, que podem ser menos ajustados fisiologicamente devido ao tratamento prévio ou doença de comorbidade, para os quais o transplante apresenta sérios riscos”.
Norman Sharpless, autor do estudo, diz que “muitos oncologistas não ficariam surpresos ao descobrir que o transplante de células-tronco acelera aspetos do envelhecimento. Nós sabemos que anos após um tratamento curativo, os pacientes que passarem por tal procedimento estão com um risco aumentado de problemas no sangue que podem acontecer com o envelhecimento, assim como a imunidade reduzida aumenta o risco de falência da medula óssea e aumenta o risco de câncer no sangue. O que é importante sobre esse estudo, entretanto, é que nos permite quantificar o efeito do transplante de célula-tronco na idade molecular”.
Fonte: http://www.eurekalert.org/pub_releases/2016-09/ulcc-bct090116.php
DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.ebiom.2016.08.029
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