Uma terapia que utiliza células-tronco da medula óssea para promover reparos cardíacos não melhorou de forma significativa o resultado primário durante um procedimento simulado entre pacientes com insuficiência cardíaca congestiva. Entretanto, a terapia revelou novas percepções críticas, de acordo com investigadores do CHART-1 final.
Embora as descobertas do CHART-1 (Terapia Regenerativa Cardiopoiética para Insuficiência Cardíaca Congestiva) sejam neutras para a população total de doentes, uma análise exploratória identificou um subgrupo de pacientes que podem se beneficiar da terapia celular cardiopoiética, conforme o principal co-investigador do estudo o Ph.D. Jozef Bartunek do OLV Hospital Aalst, na Bélgica.
“Com uma população bem definida de pacientes, baseada na gravidade da insuficiência cardíaca, essa terapia mostrou ser benéfica”, disse Bartunek, que apresentou as descobertas no Congresso ESC 2016. “As lições aprendidas com a CHART-1 irão agora fornecer a base para a concepção do ensaio subsequente, o CHART-2, que terá como alvo estes pacientes”.
Terapia celular cardiopoiética envolve o isolamento de células-tronco mesenquimais da medula óssea do próprio paciente. Expor essas células à um “coquetel cardiogênico” transformando-as em células cardiopoiética que, então, serão injetadas no tecido cardíaco danificado.
Participaram do estudo CHART-1, pacientes com insuficiência cardíaca isquêmica sintomática escolhidos aleatoriamente de 39 centros hospitalares na Europa e em Israel.
Os pacientes receberam ou tratamento placebo (n=151), ou células cardiopoiéticas (n=120). Depois de 39 semanas não houve diferença significativa entre os grupos para o endpoint primário de eficiência, que eram um conjunto de todos os tipos de mortalidade, agravamento dos eventos de insuficiência cardíaca.
Entretanto, a análise de um subgrupo de pacientes com um severo dano cardíaco (volumes finais diastólicos do ventrículo esquerdo entre 200 e 370mL) sugeriu um efeito positivo do tratamento com células.
“Os resultados para todos os parâmetros do endpoint, incluindo mortalidade e agravamento da insuficiência cardíaca, foram consistentes”, disse Bartunek, acrescentando que “o efeito foi também relacionado a uma melhora, clinicamente significante, da qualidade de vida”.
Além disso, “observamos um efeito modificador na intensidade do tratamento com a sugestão de um maior benefício com um menor número de injeções”, acrescentou. “A segurança global foi demonstrada através do estudo de corte, sem diferença alguma nos resultados clínicos adversos observados entre os grupos”.
A análise em andamento irá avaliar os resultados clínicos de 12 meses, disse o Dr. Bartunek ”A compreensão do experimento CHART-1 implica em identificar a população de pacientes que deveriam ser consideradas para terapia celular cardiopoiética em futuros experimentos clínicos ou por motivos clínicos mais amplos. Mais genericamente, índices de severidade da insuficiência cardíaca e intensidade terapêutica otimizada devem ser consideradas”.
Fonte: http://www.stemcellsportal.com/news/largest-cardiac-regenerative-therapy-trial-brings-new-insights