Embora medicamentos direcionados tenham revolucionado o tratamento da leucemia mielóide crônica (LMC), os pacientes geralmente dependem deles pelo resto de suas vidas e podem, com o passar do tempo, não mais se beneficiar desses medicamentos. Em uma nova pesquisa que pode sugerir um caminho para a cura, cientistas do Instituto de Cancer Dana-Faber e do Hospital Infantil de Boston descobriram que as células-tronco LMC morrem em resposta à inibição de uma proteína chamada Ezh2.
Fármacos, cujo alvo é essa proteína, estão sendo testados em tratamentos clínicos para outros tipos de câncer. As descobertas, publicadas online em setembro no jornal Cancer Discovery, aumentam as perspectivas de que os bloqueadores Ezh2, em combinação com Glivec e outros medicamentos similares, podem erradicar a doença em alguns pacientes de forma relativamente rápida ou podem ser uma terapia eficaz para aqueles que se tornaram resistentes a esses agentes.
Em um artigo publicado simultaneamente pela Cancer Discovery, uma equipe de pesquisadores escoceses reportou descobertas similares utilizando uma diferente abordagem.
“A grande maioria dos pacientes com LMC fazem muito bem na imatinib (Glivec) e fármacos similares. A doença é bem controlada e os efeitos colaterais são toleráveis”, disse o M.D. Stuart Orkin. “Entretanto, em apenas cerca de 10% a 20% dos pacientes as células leucêmicas serão completamente removidas do corpo. Os outro 90% mantém um ‘reservatório’ de células-tronco leucêmicas – as quais iniciam a doença – e devem permanecer em tratamento medicamentoso permanentemente”.
A LMC é um tipo de progressão lenta de câncer no sangue que se desenvolve na medula óssea. Ocorre principalmente em adultos, sendo rara em crianças.
Com o passar do tempo, alguns pacientes desenvolvem resistência ao Glivec e outras drogas que bloqueiam a BCR-ABL, a ilegítima proteína de “fusão” que conduz o crescimento da LMC. Embora terapias direcionadas de segunda e terceira linha possam, frequentemente, recuar a doença até a remissão, alguns pacientes não se beneficiam desses medicamentos ou desenvolvem efeitos colaterais severos.
O novo estudo traz à tona os esforços para descobrir se diferentes tipos de câncer são suscetíveis aos inibidores Exh2. Em experimentos de laboratório, os pesquisadores não apenas descobriram que a Ezh2 é abundante em células-tronco leucêmicas, mas que ela as ajuda a sobreviver e a dar origem a legítimas células LMC. Estudos de acompanhamento em camundongos mostraram que inativar a Ezh2 através de tecnologias de edição de genes causa a morta das células-tronco LMC, parando a doença na sua origem.
“A dependência das células-tronco na Ezh2 sugere que elas serão especialmente vulneráveis a medicamentos direcionados à proteína”, disse Dr. Orkin. “Tais fármacos já estão em testes clínicos para outras doenças, incluindo o linfoma e alguns tumores sólidos”.
A Epizyme, uma companhia biofarmacêutica de Cambridge, em Massachusetts, recentemente abri um experimento pediátrico com o inibidor Ezh2 para crianças com tumor rabdóide e outros tipos de tumores. O Instituo Dana Faber e o Hospital de Boston são locais da fase 1 do experimento.
Embora adicionar agentes direcionados para a Ezh2 em medicamentos do tratamento padrão da LMC tenha o potencial para diminuir bastante o tempo de tratamento dos pacientes, considerações éticas levam aos primeiros agentes sendo testados nos pacientes que não respondem ao Glivec e similares. “Nossas descobertas propõem que a inibição de Ezh2 deve ser considerada como uma forma de erradicar a LMC, quando usada em combinação com terapias direcionadas. Isso oferece uma abordagem promissora para reduzir o tempo de terapia em uma tentativa de alcançar a cura. Se bem-sucedida, as economias nos custos de tal abordagem podem também ser significantes”.
Muito bom o seu artigo
oi gente
gostei muito desse site, parabéns pelo trabalho. 😉
Excelente artigo! Seria ótimo atualiza-lo com as últimas notícias sobre essa técnica inovadora de inibição da proteína Ezh2.