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Em um estudo dirigido pelo professor Peter Carmeliet, pesquisadores descobriram células nas membranas protetoras que envolvem o cérebro, as chamadas meninges. Essas “progenitoras neurais” – ou células-tronco que se diferenciam em diferentes tipos de neurônios – são produzidas durante o desenvolvimento embrionário. As descobertas mostram que essas progenitoras neurais encontradas nas meninges produzem novos neurônios após o nascimento – evidenciando a importância do tecido meníngeo, assim como o potencial dessas células no desenvolvimento de novos tratamentos para danos cerebrais ou neurodegenerações. O artigo que traz esses resultados foi publicado na revista científica Cell Stem Cell.

O conhecimento científico sobre plasticidade cerebral, ou a habilidade do cérebro de crescer, desenvolver-se, recuperar-se de lesões e adaptar-se às mudanças ao longo de nossas vidas, tem sido bastante ampliado nos últimos anos. Antes das descobertas das últimas décadas, os neurologistas pensavam que o cérebro se tornava “estático” após a infância. Esse dogma mudou, a partir do momento que os pesquisadores foram descobrindo cada vez mais evidencias de que o cérebro é capaz de curar-se e regenerar-se na idade adulta, graças a presença das células-tronco. Entretanto, acreditava-se que as células-tronco neurais estavam apenas dentro do tecido cerebral, não na membrana ao redor.

Antigamente, acreditava-se que as meninges serviam principalmente para amortecer choques mecânicos, sendo assim historicamente subestimadas pela ciência. Os dados coletados pela equipe desafia a ideia corrente de que as precursoras neurais – ou células-tronco que dão origem a neurônios – só podiam ser encontradas dentro do tecido cerebral.

“As células-tronco neurais que nós descobrimos dentro das meninges se diferenciam em neurônios completos, eletricamente ativos e funcionalmente integrados ao circuito neuronal. Para mostrar que as células-tronco residem na meninges, nós utilizamos uma técnica de sequenciamento de RNA celular extremamente potente, uma técnica realmente nova e top de linha, capaz de identificar a natureza individual das células (assinatura de expressão gênica) de uma forma previamente insuperável”, disse o Profº Peter Carmeliet.

Tratando-se de futuras aplicações para essa descobertas, os cientista veem possibilidades de utilização clínica, embora futuros trabalhos sejam necessários para isso.

“Uma questão intrigante é se essas células-tronco neurais nas meninges poderiam levar a melhores tratamentos para danos cerebrais ou neurodegeneração. Contudo, responder à essa questão requer uma melhor compreensão dos mecanismos moleculares que regulam a diferenciação dessas células-tronco. Como essas células se ativam para se transformarem em diferentes tipos de neurônios? Podemos, terapeuticamente, ‘sequestrar’ seu potencial de regeneração para restaurar neurônios que estejam morrendo, como no mal de Alzheimer, na doença de Parkinson, na esclerose lateral amiotrófica (ELA) e em outras doenças neurodegenerativas?  Podemos isolar essas progenitoras neurais no nascimento e usá-las mais tarde para transplante? Essas descobertas trouxeram oportunidades de pesquisas futuras muito empolgantes.

Mover-se em um território inexplorado apresenta alto risco, e pode oferecer altos ganhos também, mas garantir financiamento para esse tipo de pesquisa é desafiador. Entretanto, as descobertas de Carmeliet foram possíveis por um amplo alcance de um financiamento através do “Opening the Future: pioneering without boundaries”, um recente campanha de financiamento Mecenas para financiamento de pesquisas cerebrais de alto risco com alto potencial de avanços também.

“Ser capaz de usar canais de financiamento não-convencionais é de muita importância para ultrapassar novos limites na pesquisa. Nossa equipe como um todo está extremamente grata pela oportunidade criada pela campanha para nossas investigações cientificas”.

Fonte: https://www.sciencedaily.com/releases/2016/11/161123124137.htm

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