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Cientistas em busca do tecido humano

Fórmulas vêm sendo testadas atualmente na Faculdade de Farmácia.

O sonho dos pesquisadores Patrícia Pranke, do Brasil, e Joachim Wendorff, da Alemanha, é ver em breve o resultado de sua pesquisa aplicado na cura e na ajuda às pessoas doentes. Eles trabalham juntos há cerca de quatro anos na combinação de nanofibras com células-tronco para constituir tecido humano, e estarão reunidos em Porto Alegre até abril.

O produto das experiências em Nanomedicina já é testado em animais e poderá, num futuro próximo, ser transformado em pele, músculos, ossos e tecido humano impregnado de medicamento para tratar, por exemplo, cânceres localizados com mais eficiência e menos danos ao organismo de pacientes.

Embora a consolidação deste sonho não tenha prazo definido para acontecer, a dupla de cientistas está entusiasmada com os indicativos já adquiridos. ‘O tempo para obtenção de resultados aplicáveis é incerto numa pesquisa como esta. Não depende de nós. Depende do resultado dos testes laboratoriais, depois hospitalares em humanos, análise de resultados. Até agora, tem sido animador’, revela a professora gaúcha Patrícia Pranke, chefe do Instituto de Pesquisas com Células-tronco da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande dos Sul (Ufrgs). Em um dos laboratórios, ela e o cientista alemão aplicam as células-tronco em moldes de nanofibras – que podem ser naturais ou artificiais – constituídas com nanotecnologia. ‘Cada peça dessas (cerca de 4 a 5 centímetros de diâmetro) tem 10 mil quilômetros lineares de nanofibras’, dimensiona Wendorff, professor na Universidade de Marburg, instituição de ensino com mais de 500 anos de história.

O físico alemão é autor de cerca de 250 artigos científicos e patenteou 40 invenções na área de ciência de materiais. É ele o criador dos moldes nanotecnológicos nos quais Patrícia e suas auxiliares aplicam, testam e observam o desenvolvimento das células-tronco. O cientista permanecerá em Porto Alegre por dois meses, tempo considerado justo para aprimorar os experimentos.

Cauteloso, Wendorff prefere não calcular o tempo das descobertas, dizendo apenas que já é possível produzir os compostos de nanofibras e células-tronco em grande escala. Ele acredita que há viabilidade econômica para a produção, além de crer que o trabalho ajudará pessoas. ‘Queremos criar formas de curar todos, mas na ciência cada passo tem seu próprio tempo’, define o cientista.

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