Notícias

Já foram criados em laboratório “mini-cérebros” de três ou quatro milímetros. No entanto, a divulgação de um cérebro produzido em laboratório do tamanho de uma borracha para lápis a partir do uso de células-tronco chamou a atenção da revista científica New Scientist, que investigou o caso.

 

O anúncio foi realizado por Rene Anand, um neurocientista da Ohio State University, em um encontro de pesquisa militar de saúde, na Flórida. O pesquisador divulgou ter criado um cérebro completo, comparável ao de um feto de cinco semanas. O processo, comandado por Anand e sua colega, Susan McKay, começou com células epiteliais que foram transformada em células-tronco induzidas (iPSCs), utilizando um método já conhecido. Segundo os pesquisadores, foi possível transformar esse grupo de células criadas em um cérebro.

 

O feito divulgado pelos pesquisadores chamou a atenção da mídia especializada, uma vez que tal façanha seria de suma importância para o tratamento de doenças como Parkinson e Alzheimer. A revista New Scientist foi atrás do caso que mostrou-se sem profundidade em suas afirmações.

 

Segundo o levantamento realizado pela revista, o trabalho apresentado por Anand ainda não teve seus resultados publicados, o que por si só já não permite a confirmação de suas afirmações. A publicação ainda enviou para diversos cientistas o poster apresentado por Anand e, segundo estes profissionais, a única coisa que se pode afirmar é que o pesquisador conseguiu criar um grupo de células, “organoide”, mas nada prova que ele tenha conseguido realmente desenvolver um cérebro completo.

 

O mesmo processo já tinha sido realizado, de forma incompleta pelo pesquisador Jurgen Knoblich, em 2013. O que aumenta a suspeita de que, na verdade Anand não desenvolveu um cérebro completo perfeito, mas, sim, um avanço no processo já realizado por Knoblich.

 

A única forma de provar as alegações de Anand seria fazer um estudo completo das funcionalidades do cérebro criado. Além disso, a revista buscou a opinião de alguns especialistas no assunto, que rechaçaram as afirmações do pesquisador. De acordo com Elene Cattaneo, que dirige o Centro de Pesquisa com Células-Tronco da Universidade de Milão, na Itália, não é possível alegar que foi realizado o desenvolvimento de grandes partes do cérebro. Mesmo as alegações de Anand sobre as dificuldades de trabalho com um organoide tão pequeno foram desacreditadas por Cattaneo, que alega existir tamanho suficiente para que análise completa seja feita parte a parte.

 

A revista apresentou sua investigação ao público no final de agosto. E, apesar da notícia correr o mundo em publicações de renome, as alegações de Anand ainda não foram totalmente comprovadas.
Fonte: New Scientist

Deixe uma resposta

Translate »