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Pesquisadores do Centro de Neurociências Krembil (KNC) e do Centro Canadense de Concussões (CCC) identificaram tendências nos sintomas que podem não apenas ajudar a predizer o quão logo pacientes com a síndrome pós-concussão (SPC) irão se recuperar, mas também fornecer uma compreensão sobre como tratar aqueles que sofrem com sintomas persistentes.

As descobertas foram publicadas na Journal of Neurotrauma.

Utilizando uma análise clustergram para visualizar potenciais padrões entre pacientes e sintomas, os pesquisadores analisaram dados coletados de 110 pacientes com SPC. Os resultados da análise renderam novos insights sobre a condição que irá ajudar profissionais da saúde a melhor informar e tratar indivíduos com SPC. O estudo descobriu que:

  • O número de sintomas apresentados em pacientes com SPC prevê se o mesmo irá se recuperar. Por exemplo, pacientes com um ou dois sintomas estão mais propensos à recuperação e à uma recuperação mais rápida do que aqueles com dez ou mais sintomas.
  • Indivíduos com sintomas de concussão persistentes que reiniciaram atividades esportivas mesmo quando não era recomendado estão mais propensos a não se recuperarem da SPC.
  • Aparentemente, existem relações entre certos sintomas de SPC. Por exemplo, pacientes com SPC que relataram ansiedade também sofreram com depressão, dois sintomas que aparentam andar de mãos dadas. Mais pesquisas são necessárias para melhor compreender essa relação, mas isso poderia indicar que regiões cerebrais responsáveis por esses sintomas estão próximas uma à outra e se “danificam” juntas.
  • O clustergram mostrou dois grupos distintos de sintomas entre pacientes com SPC com um grupo de sintomas sendo relatados bem mais que o outro. Além disso, os sintomas do grupo que foi observado com menos frequência não se apresentavam a menos que o outro grupo de sintomas também estivesse presente, indicando uma ordem previsível de expressão de sintomas.
  • Por fim, pacientes com sintomas que duraram mais de 3 anos não se recuperaram completamente da SPC. Esse é o primeiro estudo a indicar que pode haver um período definido após o qual a recuperação da SPC é improvável, mas mais pesquisas são necessárias para determinar se essas suposições são totalmente verdadeiras.

“Essas descobertas sinalizam que a presença de múltiplos sintomas pode indicar um prolongamento da doença”, disse o Dr. Charles Tator, neurocirurgião e diretor do CCC. “Embora mais pesquisas sejam necessárias, com base nesses resultados eu encorajaria profissionais da saúde a prestarem atenção na multiplicidade de sintomas em pacientes com SPC e a energicamente tratar o máximo de sintomas possíveis para aumentar as chances de recuperação”.

De acordo com pesquisas existentes, a SPC afeta de 5% a 43% de indivíduos com concussão, os quais se recuperariam completamente em um período de três meses. É pequeno o conhecimento sobre as causas exatas da SPC, e também é desconhecido se a síndrome é uma preditora da Encefalopatia Traumática Crônica (ETC), uma doença neurodegenerativa progressiva que tem sido relacionada a concussões múltiplas.

“Há uma gama tão vasta de recuperação entre pacientes com SPC que são necessárias investigações para melhor compreender essa condição”, disse Tator. “Uma vez que possamos melhor caracterizar essa fase da concussão, nós esperamos que isso nos ajude a determinar se há também uma relação com a ETC”.

A equipe de pesquisadores seguirá acompanhando os participantes do estudo por pelo menos dez anos para verificar modificações nos sintomas e para determinar se há qualquer recuperação.

A análise clustergram é parte de uma tecnologia de aprendizagem mecânica, um campo emergente da assistência médica que fornece suporte matemático para analisar uma grande quantidade de informações e dados, a fim de identificar padrões significativos em uma ampla variedade de doenças. No estudo atual, muitas das descobertas apareceram ao utilizar uma aprendizagem mecânica.

 

 

Fonte: https://www.sciencedaily.com/releases/2016/11/161129114351.htm

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