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Matéria produzida pelo portal R7.

A fonte da juventude dos roedores pode não estar na água, mas no sangue. Três novos estudos descobriram que o sangue de ratos jovens parece reverter alguns dos efeitos do envelhecimento quando colocado na corrente sanguínea de ratos idosos. As informações são do The Washington Post.

Depois de combinar as circulações sanguíneas de dois ratos – um mais velho, outro mais jovem – os pesquisadores descobriram que melhorias importantes ocorreram no músculo e no cérebro do rato idoso. Após quatro semanas, as células-tronco em ambas as áreas também tiveram um impulso de atividade e foram capazes de produzir novos tecidos musculares e novos neurônios.

Camundongos velhos que foram injetados com uma proteína abundante no sangue jovem ou receberam uma transfusão de sangue encontraram mais rápido a saída de pequenos labirintos e correram mais rápido na esteira. Eles facilmente superaram os camundongos da mesma idade.

Ao mesmo tempo, o sangue dos ratos idosos pareceu causar o efeito contrário. Ratos jovens que receberam sangue de ratos mais velhos tiveram a criação de novas células diminuída. O sangue velho efetivamente pareceu causar envelhecimento precoce.

Dois dos estudos, ambos publicados online neste domingo (4) pelo periódico Science, foram feitos pelo Instituto de Células-Tronco de Harvard, que compartilhou ratos para estudos sobre alterações musculares e cerebrais. Um terceiro estudo, publicado no mesmo dia pela Nature Medicine, foi feito por pesquisadores da Universidade de Stanford e da Universidade da California.

Combate ao envelhecimento

Embora os resultados iniciais pareçam promissores, os pesquisadores ainda não podem precisar se a técnica dará certo em seres humanos. Ainda é preciso saber quais seriam as doses adequadas de sangue, se seriam necessários suprimentos constantes de sangue jovens para manter os efeitos e se haveria consequências a longo prazo.

O neurocientista Tony Wyss-Coray, de Stanford, disse que espera mergulhar logo no estudo em humanos. Sua nova startup Alkahest planeja realizar a primeira tentativa com sangue jovem em Stanford ainda este ano. Pacientes com Alzheimer receberiam sangue novo e pesquisadores analisariam as condições cognitivas dos voluntários antes e depois.

— Neste momento, não podemos fazer nada para pacientes de Alzheimer e isso parece fácil e simples.

A idade dos ratos mais jovens usados no estudo é equivalente a 20 anos humanos, de modo que esta seria a provável faixa etária dos doadores para o estudo. O neurocientista acredita que o tratamento para envelhecimento poderia aliviar os efeitos de muitas doenças.

Judith Campisi, bioquímica do Instituto Buck de Pesquisa em Envelhecimento, que não fez parte do estudo, concorda que pesquisas na área do envelhecimento são fundamentais e podem ter benefícios de longo alcance.

— Se entendermos o processo de envelhecimento com detalhes suficientes, podemos começar a abordar mecanismos subjacentes ao invés de tratar uma doença de cada vez.

Os estudos de Harvard ficaram focados em uma proteína específica do sangue novo, chamada GDF11 (Fator de diferenciação de crescimento 11). Ela circula em níveis elevados na corrente sanguínea de camundongos jovens, mas diminui com a idade. No último ano, um estudo mostrou que injeções de GDF11 pareceram ter rejuvenescido o músculo endurecido do coração dos ratos idosos.

Embora nenhum dos estudos tenham sido testados por um longo período de tempo, os efeitos do GDF11 e do sangue jovem pareceram durar por algumas semanas nos ratos após a injeção.

Cientistas acreditam que serão necessários anos de pesquisas adicionais antes de tentar todas as experiências humanas. Embora transfusões de sangue sejam feitas com frequência, nenhuma tive seus efeitos observados com base na idade do doador anônimo.

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