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Pesquisadores descobriram uma melhor forma de purificar células do fígado obtidas a partir de células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs). Essa nova metodologia poderia facilitar a progressão em direção a um importante objetivo clínico: o tratamento de pacientes com mutações causadoras de doenças no fígado, através de transplantes de hepatócitos não-mutados derivados das suas próprias células-tronco.

Tentativas anteriores de gerar células como as do fígado a partir de células-tronco produziram populações de células heterogêneas que carregam pouca semelhança com fígados doentes em pacientes. O Programa da Associação de Estudos Genéticos da Próxima Geração (Next Gen) do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue (NHLBI) foi criado para armazenar linhagens de células-tronco vindas de pacientes de estudos de associação genômica ampla (GWAS). O objetivo é ajudar a determinar as fontes genéticas de condições cardíacas, pulmonares e do sangue, que também englobam o fígado.

Esses estudos GWAS mapeiam os genomas de centenas de pessoas como uma forma de olhar para os padrões de mutações genéticas que diferem dos genomas de indivíduos saudáveis. Quanto mais genomas são mapeados, mais chances um estudo GWAS tem de encontrar a mutação genética exata que causa certa doença. Uma vez que um “painel” de suspeitas de mutações é montado, as células-tronco desses indivíduos podem ser induzidas, em uma placa de cultura, a se diferenciarem em quaisquer células do corpo. As células podem ser pesquisadas para se entender mais sobre as mutações e para testar drogas que podem, em última análise, ajudar os pacientes a tratar as doenças que portam.

O problema surge durante a indução. Por exemplo, as iPSCs, resistem a maturar uniformemente em células do fígado, quando alimentadas com fatores de crescimento. Tradicionalmente, anticorpos têm sido usados para reconhecer características imunitárias na superfície das células e para purificar as células que são iguais. Isto tem sido crucial para a pesquisa com células-tronco, mas anticorpos válidos que reconhecem células do fígado maduras são poucos e tendem a reconhecer muitos tipos diferentes de células. Os muitos tipos de células em populações mistas têm características diversas que podem obscurecer variações genéticas causadoras de doenças subjacentes, que tendem a ser sutis.

“Sem ter uma população pura de células do fígado, era muito difícil reconhecer essas diferenças relativamente sutis causadas pelas mutações, mas diferenças essas que são importantes na vida de um indivíduo”, disse o Dr. Duncan.

Ao invés de depender de anticorpos, ele e sua equipe utilizaram uma nova tecnologia chamada de tecnologia de captura de superfície celular quimio proteômica (CSC). A CSC permitiu ao grupo mapear as proteínas da superfície das células do fígado, que são altamente mais produtivas durante os estágios finais da diferenciação de células-tronco em células do fígado. A proteína mais abundante foi identificada com um anticorpo rotulado com um marcador fluorescente e usado para separar as células maduras do fígado das demais.

O procedimento foi bastante satisfatório: a equipe conseguiu uma população de células do fígado altamente pura, madura e homogênea. As células marcadas tinham muito mais traços semelhantes de hepatócitos maduros do que as células não marcadas. As células-tronco pluripotentes que não se diferenciaram foram excluídas do grupo das células marcadas.

“Isso é importante”, disse o Dr. Duncan. “Se você deseja transplantar células em alguém com problemas no fígado, você definitivamente não quer transplantar células pluripotentes, pois elas formam tumores chamados de teratocarcinomas”.

O Dr. Duncan alertou que o transplante de células do fígado derivadas de iPSCs ainda não está pronto para uma aplicabilidade clínica. Porém a tecnologia para triagem de células hepáticas homogêneas pode ser usada, agora, para modelar com precisão e estudar doenças nas placas de cultura celular.

Pesquisadores da Universidade de Minnesota (Minneapolis) e da Faculdade Médica de Wisconsin (Milwaukee) contribuíram para o estudo, publicado em 25 de agosto de 2016, na Stem Cell Reports.

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A imagem mostra células-tronco pluripotentes induzidas expressando uma proteína característica da superfície celular, chamadas SSEA4 (verde). Imagem cortesia do Ph.D. Stephen A. Duncan, da Universidade de Medicina da Carolina do Sul. Todos os direitos reservados.

 

Fonte: http://www.eurekalert.org/pub_releases/2016-08/muos-pyl082916.php 
DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.stemcr.2016.07.016

3 Comments
marcia  
18 de abril de 2018 at 23:33

Realmente muito bom este post! Conteúdo Relevante!
Gostei bastante do site, vou ver se acompanho toda semana suas postagens.
Trabalho pela internet a alguns anos com meu blog de decoração e adoro
tudo referente ao assunto. Sei que o assunto não é decoração mas adoro
saber novidades em diferentes nichos e áreas. Obrigada

IPCT  
19 de abril de 2018 at 09:24

Ficamos muito feliz em ler sobre isso! Continue nos visitando!

Lizomar  
20 de agosto de 2018 at 12:26

Excelente texto. Descoberta.

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