Não há necessidade de enfrentar seus medos, eles podem ser feitos a apenas desaparecer. Uma nova forma de curar fobias pode ajudar pessoas a inconscientemente pensarem sobre seus medos, ajudando-as a desaprenderem suas associações de medo de uma forma livre de estresse.
Fobias são frequentemente tratadas como “terapia de exposição”, que envolve mostrar a alguém aquilo que elas tem medo, inserindo a ideia em um ambiente que seja mais seguro, a fim de ensinar a ela que não há razão em ter medo. No entanto, muitas pessoas encontram nisso um estresse que provoca a consequente fuga.
“Nós pensamos que, se podermos fazer isso inconscientemente, não haverá indisposição”, afirma Hakwan Lau, da Universidade da Califórnia, Los Angeles.
A equipe de Lau está usando um software que pode ser treinado para identificar o que as pessoas estão procurando ou imaginando enquanto fazem um exame de ressonância magnética funcional (fMRI). Esse software pode identificar coisas que alguém esteja pensando inconscientemente, através do foco na atividade visual do córtex – a região que processa os dados brutos visuais que chegam aos nossos olhos.
Não pense em uma aranha
Usando isso, a equipe encontrou uma maneira de fazer as pessoas pensarem sobre seus medos sem realiza-los. O primeiro grupo recordou os padrões da atividade cerebral que voluntários tinham quando mostrada uma variedade de 40 imagens – incluindo algumas temáticas das fobias, como aranhas, cobras e cachorros. Eles então definiram para a equipe uma tarefa para fazer durante um exame de fMRI do cérebro, com promessa de uma recompensa em dinheiro.
Sempre que um padrão inconsciente de atividade no córtex visual de uma pessoa coincide com uma figura assustadora, aquela pessoa recebe um feedback positivo e uma pequena recompensa em dinheiro. Esse treinamento de “neurofeedback” encoraja-a a pensar sobre a coisa que a assusta mais, porém inconscientemente. “Elas não sabem o que estão fazendo. Elas pessoas que elas estão fazendo um exercício mental para ganhar direito”, explica Lau.
Para ver se essa técnica de exposição inconsciente pode reduzir a fobia relacionada ao estresse, a equipe primeiro tentou em pessoas que eram condicionadas a ter medo de um padrão de linhas coloridas, dando-lhes pequenos choques elétricos sempre que vissem esse padrão. Depois de aproximadamente 3 horas de treinamento de neurofeedbak, seus medos das linhas haviam reduzido.
A próxima equipe tentou com medos adquiridos naturalmente. Essa equipe selecionou 30 pessoas para escolherem duas figuras que eles achassem mais assustadores das 40 imagens. Depois do treinamento de neurofeedback sobre o assunto de uma das duas figuras – por exemplo, um cachorro – os participantes assustaram-se menos do que quando eles mostraram a imagem, e reduziu-se a atividade em sua amígdala, que é o centro dos medos do cérebro.
Não houve tal mudança quando os voluntários foram testados para a outra figura assustadora para o qual eles não tinham tido treinamento de neurofeedback. Estes resultados foram apresentados na Sociedade de Neurociências Conferência, em San Diego.Influenciando o inconsciente
A equipe planeja voltar a contatar os participantes em três meses e perguntar a eles se ainda sentem medo com relação a sua fobia com animais. Somente então nós saberemos se essa abordagem funciona, afirma Joe LeDoux, da Universidade de Nova York. “Auto relato de medo é o padrão de ouro para saber se uma pessoa foi tratada com sucesso ou não”.
Se isso funcionar, talvez ajude outras formas de medo baseada em condições, como o estresse pós-traumático e a ansiedade. “Nós estamos, indiretamente, influenciando a mente inconsciente”, reitera Lau. Isso parece similar ao que os psicanalistas da escola freudiana almejam fazer, acrescenta.
LeDoux está também investigando a terapia de exposição inconsciente, mostrando às pessoas fotos de suas fobias por uma fração de segundo – tão rápido que eles só registram subliminarmente. Ele acredita que ambas as abordagens precisariam ser seguidas com terapias psicológicas para ensinar às pessoas estratégias para mudar suas crenças conscientes – no entanto, isso seria mais fácil à medida que suas reações inconscientes ao medo fossem reduzidas.
Journal reference: Nature Human Behaviour