Um estudo internacional conduzido por cientistas do Instituto Click, em Londres, e da Universidade Hebraica de Jerusalém revelou um mecanismo de sobrevivência em células cancerosas, que permite a erupção da doença mesmo depois de um tratamento agressivo. Num artigo publicado na Science, os pesquisadores descrevem o mecanismo por meio do qual células tumorais se transformam em células-tronco cancerosas que podem sustentar o crescimento a longo prazo.
Quando o câncer se desenvolve, as células geradas não são uniformes em suas propriedades biológicas e contribuem diferentemente para o desenvolvimento do tumor. Apenas uma pequena porção das células cancerosas podem formar novos tumores ou metástafes, e essas são chamadas de “células-tronco cancerosas”. Essa disparidade entre as células tumorais coloca grandes desafios no entendimento da natureza do tumor, sua sensibilidade para drogas e o planejamento de uma tratamento efetivo que elimine todas as células tumorais.
“Muitos medicamentos quimioterápicos levam a uma pequena quantidade de células-tronco cancerosas que causam um novo surto da doença depois de alguns anos. É, entretanto, importante identificar as diferentes células-tronco cancerosas em tumores e caracterizar as diferenças entre as células tumorais como a base para a detecção de pontos fracos no decurso do desenvolvimento da doença “, explicou Eran Meshorer, Ph.D., chefe do laboratório de células-tronco e epigenética do Instituto de Ciências da Vida e membro do Edmond e Lily Safra Centro de Ciências do Cérebro (ELSC) da Universidade Hebraica de Jerusalém.
Células-tronco cancerosas não se limitam ao próprio tumor e elas estão aptas a se envolverem de novo em um ambiente saudável e simular a doença. Para estudar as características dessas células únicas, o Dr. Meshoreer e o doutorando Alva Biran, da Univerdade Hebraica se reuniram com colegas da Universidade Hebraica e com pesquisadores do Instituto Click (Londres), da Universidade de Bar-llan (Ramat Gan, Israel) e do Instituto Nacional do Câncer, NIH (Bethesda, Maryland, EUA).
Eles descobriram que em uma série de tipos de câncer essas células-tronce cancerosas perderam uma de suas proteínas do DNA – H1.0. Através da ligação do DNA, a H1.0 silencia a expressão aos quais se liga.
“Nós descobrimos que o desaparecimento da H1.0 é crucial para as células cancerosas permanecerem imortais. Para entender o mecanismo de ação, nós mapeamos sua interação com o DNA e descobrimos que elas se ligam às regiões reguladoras dos genes. Quando os níveis de H1.0 baixam, os genes aos quais se liga podem ser ativados. Esses genes, por sua vez, são aqueles que forncecem as células cancerosa com seu potencial de imortalidade”, explicou o Dr. Meshorer.
Esse estudo é baseado em epigenética, um campo científico que investiga a expressão do gene no DNA através da ativação e inativação dos genes. A fim de identificar as células-tronco de ourtas células no tumor, a equipe de pesquisa estudou os mecanismos epigenéticos que se distinguem entre as células menor ordenadas, com propriedades de divisão infinitas e um potencial de crescimento que as células ordenadas não possuem.
Os resultados mostraram uma relação inversa entre a H1.0 e a divisão das células cancerosas. “Quanto mais os níveis de H1.0 caem, melhor o potencial de divisão descontrolada das células. Em contrapartida, altos níveis da proteína previnem o processo. Nós descobrimos que o desaparecimento da proteína H1.0 é característica das células-tronco cancerosas e é necessário para manter a habilidade de partição e o potencial de crescimento”, afirmou o Dr. Meshorer.
A descoberta poderia abrir a porta para a intervenção médica em células-tronco cancerosas, visando à restauranção dos altos níveis de H1.0 em todas as células cancerosas e, por isso, bloqueando a diferenciação das células cancerosas.
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http://new.huji.ac.il/en/article/33217
DOI: 10.1126/science.aaf1644
gostei da matéria, muito mim ajudou nos trabalhos. Ciências biologicas- UEMG-IBIRITE-MINAS GERAIS