Com a idade, tanto as células somáticas como os neurônios perdem suas capacidades de manter a qualidade de seu teor proteico. A células-tronco pluripotentes, ao contrário, não envelhecem e tem aumentado os mecanismos para manter a integridade de suas proteinas. Pesquisadores do CECAD, o Grupo de Excelência em Pesquisa de Envelhecimento na Universidade de Köln, definiram os mecanismos por trás do aumento no controle de qualidade nas proteínas de células-tronco pluripotentes. Então, os pesquisadores simularam esses mecanismos em tecidos somáticos de organismos modelo para prolongar a vida util e retardar doenças relacionadas à idade. A pesquisa foi publicada em novembro na Nature Communications.
A sobrevivência de um organismo está relacionado à sua habilidade de manter a qualidade das proteinas celulares. Conjuntos de proteínas chamados chaperones facilitam a duplicação de proteínas e são essenciais para regular a qualidade do teor de proteínas celulares. Essa habilidade decai durante o processo de envelhecimento, induzindo à acumulação de proteínas danificadas que podem levar à morte celular ou a um mal funcionamento. Muitos distúrbios neurodegenerativos relacionados à idade, como Alzheimer, Parkinson e a doença de Huntington estão ligados ao declinio no controle de qualidade das proteínas.
Células-tronco pluripotentes humanas podem se replicar indefinidamente enquanto mantém seu estado indiferenciado e, portanto, são imortais em cultura. Essa capacidade, necessariamente, demanda a anulação de qualquer desequilíbrio na integridade do conteúdo proteíco. “Há um sistema chaperone, o complexo TriC/CCT que é responsável por embrulhar cerca de 10% de todas as proteínas celulares. Ao estudar como as células-tronco pluripotentes mantém a qualidade de seus proteomas, nós descobrimos que esse complexo é regulado pela subunidade CCT8”, disse David Vilchez, autor do estudo. “Então, nós descobrimos uma forma de aumentar a montagem e atividade do complexo TriC/CCT em tecidos somáticos ao modular essa subunidade única, a CCT8. O aumento resultou em uma vida util prolongada e em um retardo de doenças relacionadas à idade do organismo modelo Caenorhabditis elegans”, acrescentou.
“Para esse estudo nós combinamos os resultados de células-tronco pluripotentes humanas e do C. Elegans, para ter tanto modelos in vitro como in vivo, proporcionando uma abordagem mais convincente. Nossos resultados mostraram que a expressão CCT8 como subunidade chave do complexo é suficiente para impulsionar a montagem do sistema todo”, disse Alireza Noormohammadi, uma das autoras do artigo. “É muito interessante que expressar essa unica subunidade é o suficiente para aprimorar a qualidade proteica e extender a longevidade, mesmo em animais mais velhos”, acrescentou Amirabbas Khodakarami, também autor do artigo.
“Um dos nossos próximos passos será testar nossas descobertas em camundongos”, esboçou David Vilchez. “Esperamos fazer mais progressos para compreender doenças relacionadas ao envelhecimento e para aproximarmo-nos de descobrir tratamentos para doenças como a doença de Huntington ou o Alzheimer. O CCT8 pode ser um candidato para corrigir deficiências em doenças do envelhecimento associadas a disfunções proteicas”.
Fonte: https://www.sciencedaily.com/releases/2016/11/161128113328.htm