Amplos estudos de biossegurança aplicada à terapia gênica utilizando células-tronco hematopoiéticas (HSC) que pretendem repor uma proteína deficiente em pacientes portadores da doença hereditária mucopolissacaridose I (MPS I) sustentam a realização de testes clínicos nesses pacientes. Evidências provenientes desses estudos, além de indicarem que a terapia genética com HSC é segura e bem tolerada em camundongos, também demonstram que é possível produzir quantidades suficientes dessa proteína sem causar danos às células-tronco hematopoiéticas dos pacientes, conforme um artigo publicado na Human Gene Therapy.
A MPS I é um distúrbio genético raro causado pela mutação no gene que produz a enzima chamada alfa-L-iduronidase (IDUA). Em virtude desse distúrbio, as células produzem essa enzima em pouca quantidade ou não conseguem produzi-la. A IDUA é necessária para quebrar subprodutos de reações químicas nas células do corpo que, se não forem quebrados, acumulam-se nas células, o que eventualmente leva a danos celulares, nos tecidos e nos órgãos. Indivíduos com MPS I podem apresentar uma série de sintomas, incluindo alargamento da cabeça (macrocefalia), acúmulo de fluídos no cérebro (hidrocefalia), anormalidades na válvula cardíaca, aumento do fígado e do baço. Muitos portadores dessa doença também sofrem significativas perdas de visão. Doenças cardíacas e obstrução das vias aéreas são a maioria das causas de morte em indivíduos com a doença.
Os pesquisadores descreveram a abordagem realizada pela terapia gênica do seguinte modo: um lentivírus funciona como um vetor, desenvolvido para fornecer cópias “normais” do gene IDUA (o mesmo gene que contém uma mutação em pacientes com MPS I) em células-tronco hematopoiéticas (HSC). Eles avaliaram a segurança do método da terapia gênica lentiviral utilizando HSC ao estudar os efeitos da transferência do gene IDUA e a produção de enzimas nas HSCs de humanos e de camundongos, seguindo as HSCs modificadas em descendentes de camundongos tratados.
“Alguns membros da equipe já haviam mostrado anteriormente que a transferência de genes lentivirais em células-tronco hematopoiéticas pode servir como uma plataforma para terapia curativa em desordens genéticas”, disse Terence R. Flotte, reitor da Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts, em Worcester. “Esse estudo abre caminho para um ensaio clínico pivô para determinar se os pacientes com MPS I também terão um tratamento bem-sucedido utilizando essa abordagem”.
Fonte: http://www.stemcellsportal.com/news/data-support-human-testing-stem-cell-gene-therapy-mps-i
DOI: doi:10.1089/hum.2016.068