Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de Minnesota apontou a endoglina como um fator crítico na determinação do destino de células precursoras indiferenciadas durante o início do desenvolvimento. A endoglina é uma proteína presente na membrana das células que está envolvida na sinalização celular e já possui suas funções nos vasos sanguíneos e na angiogênese bem conhecidas.
Em um novo trabalho publicado na Nature Communications, os pesquisadores mostraram que a endoglina modula as principais vias de sinalização de modo a estimular células jovens a se transformarem em células sanguíneas em detrimento a células do coração.
“Durante os estágios iniciais do desenvolvimento, as células precisam tomar decisões muito rapidamente”, disse Rita Perlingeiro, professora de Medicina da Universidade de Minnesota. “O ajuste fino nas decisões futuras dessas células indiferenciadas pode facilmente ser interrompido de acordo com os níveis dessa “proteína chave” dentro destas células. Quando um tipo celular é favorecido, isso implica na diminuição de outro. Nesse caso, uma alta taxa de expressão da endoglina aumenta a diferenciação das células precursoras em células sanguíneas, ao passo que células cardíacas estão diminuídas”.
A Dra. June Baik, membro da equipe de Perlingeiro e principal autora do estudo, queria desvendar o mecanismo envolvido na função desempenhada pela endoglina no destino de células sanguíneas e do coração. Durante seu estudo, a Dra. Baik manipulou os níveis de endoglina em células-tronco pluripotentes de camundongos que ainda estavam em processo de diferenciação, assim como em células cardíacas primárias de Zebrafish (Danio Rerio) e de camundongos. As descobertas realizadas confirmaram a conexão da expressão endoglina no mecanismo de diferenciação.
O passo seguinte foi compreender melhor a regulação molecular associada à função da endoglina no processo de diferenciação. Ao estudar atentamente as vias de desenvolvimento e diferenciação, a equipe identificou o fator de transcrição JDP2 como um novo regulador negativo na indução da diferenciação sanguínea, que ocorre quando a sinalização realizada pela endoglina é perturbada.
“Os sistemas sanguíneo e cardíaco são os primeiros órgãos a se desenvolverem nos mamíferos, mas os mecanismos que regulam o destino dessas células iniciais são pouco compreendidos”, disse o Dr. Perlingeiro. “Ao utilizar múltiplos modelos de sistemas, combinados a tecnologia de separação de células especializadas e ferramentas de sequenciamento, nossas descobertas ajudam a desvendar mecanismos inéditos nas poucas células envolvidas nessas decisões iniciais de desenvolvimento”.
Perlingeiro aponta como próximos passos a relação do papel da endoglina com os problemas cardíacos congênitos. “A importância desses estudos é a descoberta dos principais fatores reguladores que administram a formação do sangue e do coração”, disse Daniel Garry, diretor do Instituto do Coração Lillehei da Universidade de Minnesota. “O significado clínico desses resultados está na possibilidade de segmentar essas redes descobertas recentemente para promover o desenvolvimento dos tecidos cardíacos e sanguíneos em doenças congênitas e acompanhar as doenças em adultos”.
Fonte: https://www.eurekalert.org/pub_releases/2016-10/uom-urf100716.php
DOI: 10.1038/ncomms13101