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Abordagens de transplantes baseados em células-tronco possuem grande potencial para tratar um gama de doenças oculares entretanto o progresso nessas abordagens tem sido limitado devido a preocupações sobre custos, segurança e eficácia. Em dois estudos publicados pela Stem Cell Reports, cientistas japoneses superaram parte dessas preocupações ao demonstrar um transplante bem-sucedido de células-tronco derivadas da retina geradas a partir de doadores animais imunologicamente compatíveis sem a necessidade do uso de drogas imunossupressoras.

“Nossas descobertas mostram a maior controvérsia no campo do transplante de células-tronco ao evidenciar que excertos de células da retina são atacadas pelo sistema imunológico caso o doador e o receptor não sejam compatíveis imunologicamente, e essa compatibilidade previne ataques imunológicos contra os enxertos sem a necessidade de imunossupressores”, disse o Ph.D. Sunao Sugita, do Centro de Desenvolvimento Biológico RIKEN. “Essa abordagem poderia, potencialmente, ser usada para tratar a degeneração macular relacionada à idade além de outras doenças da retina em humanos”.

Nos últimos anos, as células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs) tem gerado um grande interesse como uma potencial fonte ilimitada de vários tipos de células para transplantes. Essa proposta envolve reprogramar, geneticamente, células da pele retiradas de doadores adultos em células-tronco embrionárias e, então, converter essas células imaturas em diferentes tipos de células especializadas encontradas em diferentes partes do corpo. Em um procedimento conhecido como terapia autóloga de reposição celular, as células derivadas de iPSCs geradas de um paciente são transplantadas de volta para o corpo do mesmo paciente, de modo a minimizar o potencial de rejeição ao enxerto pelo sistema imunológico. Entretanto, essa proposta é dispendiosa e inapropriada para paciente que precisam de enxertos com urgência.

Uma alternativa atraente é a terapia alogênica de reposição celular, que consiste em transplantar as células derivadas de iPSCs geradas de um paciente para o corpo de outro paciente. Embora essa alternativa seja menos custosa e mais amplamente aplicável, ela levanta preocupações a respeito do potencial de rejeição imunológica aos enxertos e à necessidade de imunossupressores, que pode aumentar o risco de desenvolver câncer e sérias infecções. Há uma controvérsia sobre se a segurança e a eficácia da terapia alogênica de reposição celular poderiam ser aprimoradas através do uso de células derivadas de iPSCs geradas a partir de doadores compatíveis imunologicamente.

No novo estudo, Dr. Sugita e o Ph.D. Masayo Takahashi, do Laboratório para Regeneração da Retina RIKEN, abordam diretamente essa controvérsia focando nas células epiteliais de pigmentação da retina. Os pesquisadores transplantaram células epiteliais de pigmentação da retina derivadas de iPSCs geradas de macacos doadores nos olhos de macacos receptores. Em alguns casos, os doadores e os receptores eram imunologicamente compatíveis, ou seja, suas células expressaram as mesmas proteínas do complexo principal de histocompatibilidade (MHC). Em outros casos, os enxertos foram incompatíveis, sinalizando para o sistema imunológico que uma substância estranha estava presente no corpo. O transplante de enxertos incompatíveis produziu danos no tecido da retina e apresentaram sinais claros de rejeição imunológica. Em contraste, o transplante de enxertos compatíveis não produziu sinais de rejeição imunológica e duraram até a avaliação final seis meses depois do procedimento, apesar de nenhum imunossupressor ter sido usado.

“Fiquei surpreso pelo sistema imunológico dos receptores ter rejeitado os enxertos de doadores incompatíveis, uma vez que as células epiteliais de pigmentação da retina são capazes de reprimir a ativação de células inflamatórias”, disse o Dr. Sugita. “Entretanto, nossos resultados claramente demonstram que os enxertos transplantados não sobrevivem por causa dos ataques imunológicos”. Em um estudo relacionado, os pesquisadores forneceram uma explanação molecular para essas descobertas. As células epiteliais de pigmentação da retina derivadas de iPSCs humanas ativam as células T humanas incompatíveis com o MHC, mas não combinam imunologicamente com as células T humanas.

Uma grande limitação da nova pesquisa é que os macacos usados não eram modelos de doenças. Os pesquisadores estão desenvolvendo modelos animais de degeneração macular relacionada à idade para determinar como ele respondem ao transplante de células derivadas de iPSCs de doadores compatíveis. Além de estudos pré-clínicos, os pesquisadores estão planejando protocolos clínicos para o transplante de células epiteliais de pigmentação de retina derivadas de iPSCs em pacientes compatíveis com degeneração macular relacionada à idade.

“Nós estamos esperançosos que essa abordagem prevenirá a rejeição imunológica, prolongará a sobrevivência dos enxertos e melhorará a qualidade de vida de muitos pacientes com doenças oculares”, disse Sugita.

 

Fonte: https://www.eurekalert.org/pub_releases/2016-09/cp-isc090816.php
DOIhttp://dx.doi.org/10.1016/j.stemcr.2016.08.011
DOIhttp://dx.doi.org/10.1016/j.stemcr.2016.08.010

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