Um estudo em camundongos combinando duas drogas inibidoras para tratar leucemia mielóide crônica (LMC) revelou potencial não apenas para parar a doença completamente, mas também para reduzir os custos do tratamento. LMC é um câncer dos glóbulos brancos responsável por 20% da leucemia humana.
O estudo, liderado pelo M.D. Michael Andreeff e pela Ph.D. Bing Carter, foi realizado no Centro de Cancer da Universidade do Texas e foi publicado online pela revista Science Translational Medicine.
Os pesquisadores combinaram o BCR-ABL inibidor de tirosina-quinase (TKI) com outra droga inibidora, conhecida como venetoclax, e observaram uma resposta encorajadora e taxas de cura para ambas as fases crônicas da doença e para seu estágio final chamado de crise blástica. Os inibidores BCR-ABL são o atual tratamento padrão que permite à maioria dos pacientes continuar em remissão, mas não erradica completamente as células cancerígenas. Em alguns pacientes, o câncer retorna em uma forma incurável. Aproximadamente 100.000 pacientes nos Estados Unidos são mantidos em uma terapia TKI por toda a vida a um custo de 100.00 dólares ao ano, um tratamento que é inacessível para a maioria dos pacientes.
“Nossos resultados demonstraram que esse estudo em camundongos empregando um bloqueio combinado de BCL-2 e BCR-ABL tem o potencial de curar a LMC e, significativamente, melhorar os resultados em pacientes com crise blástica e, portanto, justificar teste clínicos”, disse o Dr. Andreeff. “Essa estratégia de combinação pode também atender outras malignidades que dependem de sinalização de quinase para progressão e manutenção”.
Os TKIs para LMC são a classe mais bem-sucedida para terapia molecular de qualquer outra doença maligna, mas não são efetivas na eliminação de células-tronco LMC. Como as persistentes células-tronco podem permitir o retorno do câncer e avança-lo para o fatal estágio da crise blástica, os pacientes precisam permanecer com o tratamento medicamentoso pelo resto de suas vidas.
“Acredita-se que os TKIs não eliminam as células-tronco residuais, pois eles não dependem da sinalização BCR-ABL. Consequentemente, a cura da LMC com TKIs é bastante rara”, disse a Dra. Carter.
Carter trabalhou por muitos anos na eliminação das células-tronco LMC residuais, o que poderia significar que pacientes com LMC não precisariam se submeter à cara terapia TKI. Baseado no estudo, combinar TKIs com o inibidor BCL-2 pode ser a solução.
“Tratamentos a longo prazo com TKIs vêm com um custo alto, tanto financeiramente como em efeitos colaterais”, disse ela. “No mundo todo, a maioria dos pacientes com LMC não pode arcar com os custos exorbitantes da terapia com TKI. E, infelizmente, para os pacientes que já evoluíram para o estágio da crise blástica, não há tratamentos significativos e o tempo restante de vida é contato em semanas ou meses”.
Fonte: https://www.mdanderson.org/newsroom/2016/09/combination-therapy-.html
DOI: 10.1126/scitranslmed.aag1180