Cientistas relataram um tipo de célula-tronco envolvida na calcificação de vasos sanguíneos que é comum em pacientes com doenças crônicas dos rins. A pesquisa guiará futuros estudos em maneiras de bloquear a acumulação de minerais dentro dos vasos sanguíneos e o agravamento de aterosclerose (endurecimento das artérias).
“Antigamente, esse processo de calcificação era visto como passivo – apenas depósitos minerais que se grudavam nas paredes dos vasos, como minerais aderindo às paredes das tubulações de água”, disse o Ph.D. Benjamin Humphreys, diretor da Divisão de Nefrologia e professor associado de medicina na Escola de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis, Missouri. “Recentemente, nós descobrimos que a calcificação é um processo ativo orientado pelas células. Entretanto há muita controvérsia sobre quais células são responsáveis e de onde elas vêm”.
As células implicadas em entupir vasos sanguíneos com depósitos de minerais vivem na camada exterior das artérias e são chamadas células-tronco positivas Gli1, de acordo com o estudo publicado na Cell Stem Cell. Por serem células-tronco adultas, as células Gli1 têm potencial para se tornarem diferentes tipos de tecido conjuntivo, incluindo músculo liso, gordura e osso.
O Dr. Humphreys e seus colegas mostraram que, em condições saudáveis, as células Gli1 têm um importante papel em curar vasos sanguíneos danificados ao se transformarem em novas células do musculo liso, que fornece às artérias sua habilidade de contração. Entretanto, com doenças renais crônicas, essas células provavelmente recebem sinais confusos e se tornarão um tipo de célula progenitora óssea chamada de osteoblasto, que é responsável pelo acúmulo de cálcio.
“Nós esperávamos encontrar osteoblastos em ossos, não em vasos sanguíneos”, disse o Dr. Humphreys. “Nos camundongos com doenças renais crônicas, as células Gli1 acabam assemelhando-se a osteoblastos, secretando osso na parede do vaso. Durante a falência renal, a pressão sanguínea é alta e as toxinas se acumulam no sangue, provocando inflamação. Essas células podem estar tentando realizar seu papel cicatrizante em resposta à sinais de danos, mas o ambiente tóxico e inflamatório, de alguma forma, as transforma no tipo errado de célula”.
Os pesquisadores também estudaram tecidos doados de pacientes que morreram por falência renal e que apresentaram calcificação na aorta, a maior artéria do corpo humano.
“Nós encontramos as células Gli1 nas aortas calcificadas dos pacientes exatamente no mesmo lugar em que vimos essas células nos camundongos”, disse o M.D. Rafael Kramann. “Essa é uma evidência que os camundongos são um modelo preciso de doenças em pessoas”.
Aproximadamente 20 milhões de adultos nos Estados Unidos têm algum grau crônico de doenças renais, de acordo com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças. A maioria desses pacientes nunca desenvolvem insuficiência renal em estágio final, precisando de diálise ou transplante de rins, pois eles primeiro sucumbem a doenças cardiovasculares. O acúmulo de placas nas artérias, característica de doenças cardiovasculares, piora em pacientes com rins doentes por causa do depósito adicional de minerais.
Além disso, apoiando o argumento que as células Gli1 estão orientando o processo de calcificação, o Dr. Humphreys e seus colegas mostraram que remover essas células de camundongos adultos preveniu a formação de cálcio em vasos sanguíneos.
“Agora, que nós identificamos as células Gli1 como responsáveis por depositar cálcio nas artérias, podemos começar a testar maneiras de bloquear esse processo”, disse Humphreys. “Um fármaco que trabalhe contra essas células pode ser uma nova forma terapêutica para tratar a calcificação vascular, a grande vilã de pacientes com doenças renais. Nós devemos ser cuidadosos, pois acreditamos que essas células também exercem uma importante função em tratar danos no músculo liso em vasos sanguíneos e não queremos interferir nisso”.
Um novo estudo indica que as células tronco conhecidas como células Gli1 (em vermelho) são responsáveis por depositar cálcio nas artérias, aumentando o risco de aterosclerose. Com o tempo, essa condição pode evoluir para uma doença cardiovascular e é bastante comum em pacientes com doenças renais crônicas. A pesquisa pode ajudar cientistas a encontrar maneiras de prevenir o endurecimento das artérias. Imagem cortesia do laboratório do Dr. Humphreys.
Fonte: https://medicine.wustl.edu/news/scientists-find-culprit-responsible-calcified-blood-vessels-kidney-disease/
DOI: 10.1016/j.stem.2016.08.001
