Células de músculos cardíaco obtidas a partir de células-tronco pluripotentes induzidas, apresentam a expressão fiel de genes-chave originais do doador, conforme os pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Stanford. Como resultado, as células podem ser usadas como um indicador para predizer se um paciente é suscetível a sofrer danos cardíacos relacionados a medicamentos.
A descoberta valida o uso de certas células para testar o potencial de cardiotoxicidade de alguns fármacos e para desenvolver novas terapias para condições como a cardiomiopatia. Os pesquisadores acreditam que, identificando as pessoas que são propensas a sofrer de maus cardíacos, antes que elas sejam submetidas a tratamento, poderia aumentar o perfil de segurança de alguns medicamentos.
“30% dos medicamentos em ensaios clínicos são, eventualmente, recolhidos por questões de segurança, o que frequentemente inclui efeitos cardíacos adversos”, disse o médico Ph.D. Joseph Wu, diretor do Instituto Cardiovascular de Stanford e professor de medicina cardiovascular e radiologia. “O estudo mostra que essas células servem como uma leitura funcional para predizer como o coração do paciente pode responder a certos tratamentos medicamentosos e identificar aqueles que devem evitar certos tipos de tratamentos”.
Dr. Wu é o autor sênior do estudo publicado online no dia 18 de agosto desse ano, na revista Cell Stem Cell. A instrutora de medicina vascular, a Ph.D. Elena Matsa, é a autora principal da pesquisa.
A habilidade de cultivar células-tronco a partir de amostras de tecido e sangue facilmente obtidas, tem revolucionado o conceito de medicina personalizada e permitido a criação de muitos tecidos humanos para uso clínico. Os pesquisadores se perguntam, porém, se o processo de cultivo destas células-tronco, e posterior indução dessas células a se transformarem em outros tecidos, pode afetar os padrões de expressão gênica e até mesmo a maneira como as células especializadas funcionam. Se assim for, estas alterações podem limitar a sua utilidade clínica.
Os doutores Wu, Matsa e seus colegas criaram células do músculo cardíaco, cardiomiócitos, a partir das células iPS de sete pessoas que, até onde se sabe, não tinham predisposição genética para problemas cardíacos. Eles sequenciaram as moléculas de RNA de células do músculo cardíaco para analisar quais e quantas proteínas as células estão produzindo. Eles, então, compararam os resultados obtidos a partir dos indivíduos, com os padrões de expressão gênica de cardiomiócitos derivados de vários lotes de células iPS de cada pessoa – assim como, entre todos os sete pacientes do estudo.