Estudo genômico em platelmintos revelou que o RNA, o transmissor da informação genética, é processado de maneira similar tanto nesses vermes como em humanos também. De fato, os organismos parecem estar ao longo do reino animal.
A habilidade das células-tronco de dar origem a infinitamente mais células do mesmo tipo, assim como de diferenciar em outros tipos de células, faz com que elas sejam de grande interesse por parte dos pesquisadores. A ativação específica de certos genes é responsável por habilidades especiais nas células-tronco. Os genes são transcritos para as formas de RNA transitórios, que por sua vez servem como modelos para as proteínas. O RNA costuma ser processado através de entrelaçamentos, nos quais porções de RNA são recombinados mais uma vez e as chamadas sequências de intron são cortadas do RNA, enquanto sequências de exon são mantidas.
Onde há diferentes versões de exon as células podem escolher entre eles de forma orientada. Esse “entrelaçamento” alternativo pode resultar na criação de diferentes versões de uma simples proteína com diversas propriedades. Até agora, não se sabia quais alternativas de entrelaçamento também controlavam as propriedades da célula-tronco em planárias – pequenas e livres planárias que são de interesse de pesquisadores devido às suas habilidades de regenerar qualquer parte perdida do corpo através das suas muitas células-tronco.
Para entender mais sobre esse processo, a Ph.D. Jordi Solana, que trabalha no laboratório do Profº Nikolaus Rajewsky no Instituto de Biologia de Sistemas Médicos de Berlin (BIMSB) – parte do Centro de Medicina Molecular Max Delbrück na Associação Helmholtz (MDC) – colaborou com o Ph.D. Manuel Irimia, do Centro de Regulação Genômica (CRG) em Barcelona, e a equipe do Profº Benjamin J. Blencowe da Universidade de Toronto, entre outros. Os pesquisadores publicaram recentemente suas descobertas na eLife.
Eles identificaram os processos de entrelaçamento que operam apenas nas células-tronco dos vermes. Eles também identificaram vários exons alternativos responsáveis por variações de proteínas específicas das células-tronco. Surpreendentemente, introns não eram removidos do RNA com frequência, o que significou que proteínas funcionais não poderiam mais ser geradas. Os pesquisadores também descobriram pequenos fragmentos de exons – “micro exons” – em células completamente desenvolvidas.
Em experimentos subsequentes, os cientistas desligaram as proteínas que controlam os entrelaçamentos alternativos. Uma dessas proteínas é a MBNL, que suprime a produção de proteínas variantes específicas das células-tronco. Eles também descobriram que a proteína CELF neutraliza a MBNL simulando a produção dessas variantes. Durante o desenvolvimento da célula-tronco em tecido celular os dois fatores competem pela predominância. Essa interação entre a MBNL e a CELF já foi anteriormente observada apenas em células de mamíferos.
“No nosso estudo, identificamos novos mecanismos que não estávamos cientes nos estudos das células de mamíferos. Com esse conhecimento, agora é possível para nós olharmos de forma orientada para os mesmos processos em células humanas”, disse Dr. Solana.
O trabalho científico também aflora questões fundamentais sobre a função das células-tronco em animais. “Descobrir o antagonismo entre a MBNL e a CELF em platelmintos é interessante a partir da perspectiva de um biólogo evolucionário”, disse Dr. Solana. “Pela primeira vez, nós descrevemos mecanismos em células-tronco em organismos de ramos extremamente distantes na árvore evolucionária. O que nós descobrimos é, provavelmente, um processo fundamental ao longo do reino animal”.
Fonte: http://www.stemcellsportal.com/news/stem-cells-worms-and-humans-more-similar-expected