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Não tão raras como costumava-se pensar, células tumorais que podem dar início a um novo tumor colocam o conceito de “células-tronco cancerígenas” sob os holofotes.

Com bastante frequência, os pacientes com câncer recaem. Tumores aparentemente vencidos por cirurgias e quimioterapia retornam meses depois, ou até mesmo anos mais tarde. Nos últimos anos, um número crescente de cientistas atribui a culpa às, então chamadas, “células-tronco cancerígenas”. Essa hipótese propõe que a habilidade de iniciar um novo tumor é restrita a apenas uma pequena população de células. De acordo com esse modelo, a razão pela qual o câncer ressurge é por causa das drogas que matam as células que se dividem rapidamente, e que compõe a maior parte do tumor, mas causam pouco dano a essas poucas células que realmente importam – células-tronco cancerígenas que são capazes de regenerar o tumor. Desde que as células-tronco foram identificadas pela primeira vez na leucemia em 1994, elas vêm sendo relacionadas a cânceres humanos do cérebro, do peito, do colo, do pâncreas e outros tecidos.

Entretanto, um ensaio para encontrar essas supostas células-tronco cancerígenas está a um longo caminho de distância de mudar o status “raras”. Pesquisas anteriores indicaram que tais células são extremamente infrequentes, talvez uma em um milhão de células de um tumor. Atualmente, o trabalho de Sean Morrison na Universidade de Michigan, em Ann Arbor, revela que as células capazes de gerarem novos tumores talvez não sejam tão incomuns assim, pelo menos no melanoma.

Células-tronco cancerígenas, ou “células iniciadoras de tumores” como são menos controversamente chamadas, são identificadas por ensaios de transplantes. As células de um tumor são isoladas, classificadas de acordo com marcadores de superfície otimizados para produzir a população adequada de “células-tronco”, e essas células são injetadas em um camundongo. Se a injeção resultar em um tumor que gera a mesma mistura de células encontrada no original, então ele presumivelmente inclui as células-tronco cancerígenas.

O melanoma pode ser particularmente suscetível à vigilância imunológica – a capacidade do sistema imunológico procurar e destruir células cancerígenas incipientes – e, assim, o sistema imunológico de um camundongo pode, dramaticamente, afetar o estudo. Além disso, o melanoma é altamente metastático e isso também pode indicar uma porcentagem maior de células iniciadoras de tumores do que em outros tipos de câncer. Apesar de tudo, as linhagens de células cancerígenas comercialmente disponíveis, que foram selecionadas para crescimento agressivo, também formam tumores a uma taxa elevada em estudos de transplantes.

Morrison esclarece que a questão de sua pesquisa não é que todas as células cancerígenas tenham o potencial de regenerar um tumor, mas que os estudos que costumavam identificar essas células devam ser reavaliados, principalmente em tumores sólidos. “Estamos propondo que o modelo de células-tronco cancerígenas é verdadeiro em alguns canceres, mas não em outros”, ele disse.

 

Fonte: http://www.nature.com/stemcells/2008/0812/081203/full/stemcells.2008.153.html

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